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Um cidadão desesperado

Sérgio Figueiredo já nos tinha avisado que "há coisas que não se discutem". Também nos deu um exemplo: "este jornal há muito que deixou de tomar uma posição editorial sobre «as coisas» que Alberto João Jardim diz. Diga o que disser. (...) Não é para levar a sério. É impossível ficar indiferente, mas como a personagem (...) está totalmente desprovida de credibilidade, ninguém lhe liga".
A caminho de se tornar ele próprio num exemplo, quando escreve sobre o sistema de justiça, Sérgio Figueiredo oferece-nos, agora, um par de úteis definições, sobre um jornal que não quer ser discutido (e tudo porque um grupo de cidadãos, motivado pela "estranheza face à envergadura, intensidade, duração e ênfase dada por alguns jornais ao evento Compromisso Portugal" e desiludido "com o baixo nível de análise crítica verificada na reprodução da mensagem desse movimento", dirigiu uma "
carta aberta" à Entidade Reguladora da Comunicação Social, para "que não paire suspeita de conflito de interesses nessa actividade económica tão importante que é o jornalismo económico").


Nova definição para ironia: um jornal, onde se defende, pela pena do seu director, que "o sentimento geral da sociedade portuguesa perante o seu sistema de justiça (...) acabou na descrença absoluta", que "é aqui que, porventura, o Estado menos se dá ao respeito", que o sistema de justiça é um "«monstro» que o nosso sistema democrático foi criando", que "o Estado português não entra nos tribunais", "não gere o sistema" e "não manda", que "a justiça é um absurdo" e que as iniciativas dos eleitos produziram, nesta área, "resultados catastróficos", um jornal, dizia, que vê-se na urgente necessidade de recorrer a tribunal para responder a um "sinal de maioridade democrática", para que 19 cidadãos (o grupo) provem as referidas "torpes acusações que (...) lançaram".
Definição de coerência: um jornal que apadrinha - o termo é "jornal oficial" - um
Compromisso segundo o qual os problemas da justiça resolvem-se com 10 medidas, sendo que as quatro primeiras têm a ver com o "recurso a meios alternativos de resolução de conflitos" e a quinta é "sancionar severamente o recurso abusivo a tribunais", e que vive da liberdade de expressão decide que a melhor forma de "lidar" com esta liberdade, quando exercida por outros, é a ameaça com o recurso aos tribunais.

Mantendo o respeito que é devido pela desgraça alheia, é caso para dizer que Sérgio Figueiredo deve ter ficado mesmo desesperado com a carta "Compra-me isso Portugal", ao ponto de decidir recorrer àquele "monstro" "absurdo" onde "o Estado português não entra" e onde "não manda".

P.s.
Sobre o tema, escreve, muito melhor, Francisco Teixeira da Mota: "
Aldeia Global".

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