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O que me parecia ser evidente


Quando li as declarações de D. José Policarpo (o aborto "não é um assunto religioso"), perguntei-me, a mim, agnóstico, "graças a Deus", o que seria um "assunto religioso".
Agora, sendo uma "questão religiosa", a resposta a dar não é nada simples.

Crente, graças a Deus, pareceu-me tb. evidente que D. José Policarpo quereria dizer que o aborto é uma "questão" à qual uma instituição, que é a Igrela Católica Apostólica Romana, não poderia - ou quereria? - dar "uma resposta" (as aspas são indicadoras de simplificação).

O problema é que, ao contrário do que, quiçá, pensará D. José Policarpo (pessoa a quem admiro), a religião (as questões religiosas...) não é(são) monopólio de uma instituição, e muito menos, apenas, da já referida.

E o que eu não queria acreditar é que tal posição decorreria, apenas, do "medo de perder nas urnas".

Retomando o assunto, a que questões «uma instituição, que é a Igreja Católica Apostólica Romana, (...) poderia dar "uma resposta"»?
O uso do preservativo?
A eutanásia?
O suicídio?
A pena de morte?
As relações homossexuais?
A maternidade?
A paternidade?
A justiça (terrena)?
A violência doméstica?
Se me disserem que a Igreja não dá respostas (ponto) e apenas ajuda a encontrar caminhos, eu aceito. Mas, neste caso tão importante, também deve ajudar à conversa ( a encontrar caminhos).
Agora, tal como está afirmado pelo Cardeal, parece que há questões às quais a Igreja dá (ou quer dar) resposta e outras não. Esta é das “não”.

Retomando o assunto - o da despenalização do aborto -, agora sobre outro prisma:

a) trata-se de uma tomada de posição assaz difícil, pelos valores em questão (quando me dizem que a resposta é óbvia, num ou noutro sentido, arregalo os olhos);

b) e, se a pergunta a que todos teremos de responder é relativa à despenalização, sobre esta se senta logo, uma vez respondida afirmativamente, a da liberalização e os seus termos: outra dificuldade.

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