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À Lei da Rolha

Primeiro foram as caricaturas de Maomé, depois o caso da ópera de Berlim. Mas o medo alastra na mesma proporção que a flacidez europeia. Agora um conhecido blogue alemão de direito irá encerrar por ameaças islamitas, como se pode ler no blogue German – American Law Journal. Como refere – o nessa matéria insuspeito – Scruton (postal de 3.2.2006), ao menos no que respeita ao caso das caricaturas de Maomé, elas reflectem bem uma crescente perda de sensibilidade europeia para a religião e para as coisas relacionadas com ela. Um tanto paradoxalmente, o fundamentalismo ateu, o niilismo secularista europeu, numa palavra, o “Cubo”, para usar a metáfora de Weigel, com a sua marcada intolerância à religião, com a sua mensagem de negação do religioso a todo o transe, é, porventura involuntariamente, um dos principais alimentos da violência islamita (não é por acaso que, nos E. U. A., na terra da “Catedral”, usando ainda a metáfora de Weigel, não se têm visto atentados ou ameaças de atentados motivados por “provocações religiosas”). Depois, não se trata apenas de paradoxo. É irónico verificar que aqueles – os órfãos da Queda do Muro, de 68 e tutti quanti – que não raro se colocam ao lado, ou ao menos contemporizam, com movimentos radicais, desde que sirvam de instrumento apto a flagelar o Império do Mal (leia-se: E. U. A. e Ocidente em geral), acabam, por rectas contas, por provar da sua própria medicina. Ao contrário dos gauleses irredutíveis, também sobre a cabeça deles o céu há-de cair.

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