« Home | Uma adivinha » | À MESA COM O "PACTO" » | Blasfémias » | «A procissão» » | Uma verdade Inconveniente » | Uma palavra independente » | Família e Menores... mais longe? » | Do pacto prematuro à depressão pós-pacto » | Ad perpetuam rei memoriam » | RECORDAÇÕES DO PASSADO »

Sinistralidade rodoviária e o protocolo de Quioto

Em Portugal morrem, em média, três pessoas por dia em consequência de acidentes de viação.

Mas esse número parece ser banal, porque não tem mobilizado suficientemente o poder político a encontrar as soluções necessárias para terminar com esse flagelo nacional. Infelizmente, parece ser necessário mudar o discurso numa conjuntura em que o argumento da estatística económica suplanta o impacto do drama humano:

Nestes termos, importa salientar que os custos anuais da sinistralidade rodoviária equivalem a cinco por cento do Produto Interno Bruto, ou seja, aproximadamente 4,2 mil milhões de euros.

É conhecida a importância do excesso de velocidade na causa de muitos acidentes mortais.



Imaginem o poder político a investir 25% dessa quantia (cerca de mil milhões de euros), num ano, na prevenção (efectiva) da sinistralidade rodoviária: seria suficiente, por exemplo, para instalar em cada automóvel português um limitador electrónico de velocidade, com GPS, que poderia ser tornado obrigatório.

Com esses limitadores de velocidade obrigatórios e a consequente diminuição da velocidade dos veículos rodoviários, também seriam obtidos ganhos ambientais significativos que permitiriam satisfazer as obrigações emergentes do Protocolo de Quioto... o que implicaria outra poupança financeira para o Estado...

Para reflectir.

Fonte da notícia quanto aos custos da sinistralidade rodoviária: O Primeiro de Janeiro
Imagem: www.santiagodecompostela.org




Outro custo assim evitado: aqueles com a punição dos infractores. Não tenho a ideia de quantos funcionários há na DGV a processar este tipo de infracções, mas sei que são, pelo menos, 20% dos processos contra-ordenacionais que tenho pendentes (recursos e execuções).

O Colega Jorge Langweg tem toda a razão e é oportuníssimo o seu apelo à linguagem dos cifrões, já que a do sofrimento humano diz pouco ou nada a quem naqueles se concentra.

Para esses, mais vida, menos vida, mais dor, menos dor (desde que não seja a sua), o que é que isso interessa se não se traduz directamente em dinheiro, pelo menos de forma relevante?

Interrogo-me é acerca da receptividade de um sistema realmente eficaz como aquele que propõe - e com o qual eu concordo sem reservas.

Não só no âmbito da sinistralidade rodoviária, mas também nele, estaria Portugal preparado para um sistema que, de forma realmente eficaz, sem excepções ou privilégios, punisse os infractores?

Habituámo-nos de tal maneira à mentalidade do "faz de conta", que tenho muitas dúvidas de que, no dia em que alguém, no poder, quisesse passar da aparência à realidade, fosse bem recebido.
Palpita-me que seria um terramoto pior que o de 1755.

E, como em tudo o que cheire a controlo do comportamento humano através da tecnologia, ainda que para um fim nobre como é o de proteger a vida e a integridade física das pessoas, lá viria o papão do «Big Brother».

E isto para não falar nos interesses económicos das grandes marcas de automóveis - se os limites de velocidade fossem para cumprir efectivamente, como convencer os consumidores a dar uma fortuna por um veículo que atinge os 250 km/hora... com a certeza de ser apanhado logo na primeira aventura?

Enviar um comentário

ligado

Criar uma hiperligação