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A EXCELÊNCIA PORTUGUESA, AQUÉM E ALÉM FRONTEIRAS



A propósito da nossa embaixada ao reino de Espanha,

Dizem os jornais que o Presidente da República foi de visita aos nossos vizinhos, naquilo que é considerada uma romagem contra os “fantasmas do iberismo”. Daí que a comitiva enviada vá bem recheada com exemplos da excelência portuguesa, onde não faltam os mais jovens. “Muy bien.”

Fico feliz por saber que temos muito de bom para exibir. Mas duvido que os “nuestros hermanos” se deixem impressionar especialmente pela excelência à portuguesa. É que vejo-os mais apostados na promoção de um futuro bem mais modesto em termos de qualificativos (o que não é o mesmo que qualidade) mas simultaneamente bem mais abrangente no que respeita à quantidade. Um futuro que habilite todos os jovens a uma vida profissional escolhida em função das respectivas preferências e não condicionada à passagem pelo crivo da genialidade. Um futuro que os prepare para a concorrência jogada num mercado aberto e moldado à dimensão dos seus 40 milhões de habitantes. “Con ganas!”

E uma vez que a nossa comitiva, representativa de um país tão debilitado economicamente, não podia incluir _ “por supuesto” _, as (já) centenas de jovens portugueses que este país das “excelências” exportou e continua a exportar para Espanha, “pues que por lo menos” lhes dessem boleia de regresso ao país que os acolheu na universidade, agora que, por cá, terminaram as férias.

Talvez que na agenda da dita comitiva não ficasse mal a realização de uma visita de agradecimento às muitas universidades espanholas que acolheram os nossos filhos, como se seus filhos fossem, permitindo-lhes realizar o sonho que Portugal lhes negou. Seria bom que se lembrassem de agradecer aos professores e, já agora, _ “por qué no?” _ oferecerem também uma palavra de compreensão aos alunos. Antes que seja tarde. É que a grandeza de Espanha oferece aos nossos jovens a nacionalidade espanhola ao fim de apenas dois anos de residência por aquelas bandas. Os hospitais e centros de saúde espanhóis oferecem-lhes assistência médica gratuita e com um atendimento “pronto”.

Mas se tudo isto não fosse suficiente para levar o nosso Presidente da República às universidades espanholas, pelo menos que o fosse a divulgação daquilo que para mim se revelou verdadeiramente uma surpresa: o ensino nas faculdades de medicina das universidades espanholas de cadeiras como “Língua Portuguesa” e _ pasme-se! _ “História de Portugal”, como disciplinas de livre eleição. Em sede de cultura, até mesmo em matérias como o ensino da nossa própria história, os castelhanos de há muito que perceberam por onde anda a “excelência portuguesa”. “Vale!”

Valha-nos, pois, a visão da “normalidade” que hoje nos proporciona Espanha.

“Muchas gracias!”

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