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Carta em férias a Laborinho Lúcio


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Exmo Sr. Dr. Laborinho Lúcio
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.....Tomei a liberdade de lhe escrever ...
Gostaria mais de ter começado esta carta por : "Caríssimo Dr Laborinho", por todas as razões e mais alguma que me levam a entender que é para mim alguém que me é caríssimo.
Isto sem qualquer problema em tomar esta posição em relação ao senhor como pessoa, o que aliás, é facto notório a quem me conhece.
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Dizia eu que decidi escrever-lhe em férias.
Sim, porque eu ainda estou a gozar estas benditas férias que o Sr. Ministro da Justiça decidiu e muito bem, impor aos Juízes .
Vinte e oito dias úteis.
Vinte e oito!!!
Nunca os tinha contado assim. Que sabor a liberdade!!!
Finalmente tive férias!
Pena que sejam na época mais cara!
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Bem, mas isto agora não interessa nada como diz aquela senhora dos programas de bisbilhotice privada/pública ou voyeurismo como preferir.
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O que interessa é que me retirei aqui para a sombra, como pode concluir da imagem supra e, depois de ler a Visão desta semana, lembrei-me do artigo da semana passada e decidi escrever-lhe sobre a curta"entrevista" que deu ao Jornal de Leiria.
Não posso deixar de me "pronunciar", ou melhor, manifestar.
Já sabe, eu sou assim, uma espécie de " faz tudo" que não pode deixar de se meter principalmente naquilo que bole com ele.
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Não faz tudo, mas parece!
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Diz o Sr. na sua entrevista ao Jornal de Leiria que acerca do facto de o seu nome ser muito falado para possível PGR ", o que tem sido dito a propósito não passa de pura especulação."E diz ainda : " Apenas posso lembrar que quando ainda estava no Governo, tive ocasião de dizer que, depois de ter sido Ministro da Justiça, jamais seria Procurador Geral da Republica.Não vejo que desde então para cá alguma coisa tenha mudado".
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Não sei porque terá de ser assim. Nem sequer compreendo a lógica da impossibilidade de " sucessão dos cargos". Não sei mesmo se tem de haver alguma lógica...
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Como todos sabemos o Sr. é um dos "Homens do Presidente".
Não há dúvida disso. O cargo que agora ocupa e os que ocupou e quando os ocupou, demonstram bem isso.
Não quero com isto dizer que esteja mal onde está ou, que veja algum mal na hipótese da sua escolha para PGR.
Só não percebo porque não há-de encarar isso como uma hipótese válida e muito viável.
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Num post meu de 5 de Abril em que lhe faço referência e a que dou o nome de " As escolhas do Presidente" digo:
O Presidente da República, Cavaco Silva, escolheu o antigo ministro da Justiça Laborinho Lúcio e o penalista de Coimbra Costa Andrade para integrarem o Conselho Superior da Magistratura (CSM), o órgão de gestão e disciplina dos juízes.(...)
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PERFIL ( claro que este Perfil é apenas um esboço e não é de minha autoria ) :
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Álvaro Laborinho Lúcio, nascido em 1941, na Nazaré, foi ministro da Justiça nos governos chefiados por Cavaco Silva. Desempenhou até agora as funções de ministro da República para os Açores.
(...)
E na altura disse:
Por enquanto apenas faço um comentário:
O Dr Laborinho, é Brilhante e não o é apenas de nome.
Reservo para mais tarde o direito a qualquer outro comentário.ACCB.
posted by Cleopatra Quarta-feira, Abril 05, 2006
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E foi isto que eu disse.Tendo-me pois reservado o direito de qualquer outro comentário, perante a leitura do que foi dito na supra referida entrevista, vou agora fazê-lo.
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Sabendo que o PR além de nomear o PGR deve intervir na sua escolha, conhecendo eu o seu perfil, não o que descrevo supra, mas um outro perfil de dois anos de passagem pelo CEJ, tendo eu a imagem que tenho do Sr. , como posso ficar a olhar, a ler, aceitando em silêncio que o que se diz sobre a sua possível escolha, são meras especulações?
Porque não uma hipótese bem viável?
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Porque não será o futuro PGR um homem que considero inteligente, sóbrio, ponderado, diplomata, com enorme presença de espirito , com um saber estar em qualquer lado inigualável, com conhecimento do que é a Justiça e do que é ser Procurador, um homem que participou na formação de tantos Magistrados, um homem que ensinou a Magistrados o lado real, humano, vivo do Direito?
Porque não?
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Quem impulsionou uma Escola de formação de Magistrados como o Sr., quem inovou a Magistratura ou esteve à frente dessa inovação, porque não pode agora inovar tanto que há para inovar na Justiça, mais propriamente no Ministério Público, na investigação... em tudo o que a isso diz respeito, e o Sr. sabe do que falo.
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Que a tarefa é árdua? AH! Mas já o foi para o Dr. Souto Moura
E quando o senhor "esteve" Ministro , também sentiu o dificil que foi "estar Ministro"!
Medo?
Não acredito.
Comodismo?
Muito menos.
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Entre o deixar para escolha "juristas de mérito" e o avançar sem medo se indicado, o que será melhor para a Justiça Portuguesa?!
E talvez seja por essa mesma razão que aponta para não o ser , que deve ponderar a hipótese de ser o escolhido.
Talvez porque " Não vejo que desde então para cá alguma coisa tenha mudado!"
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Termino por hoje.O Sol ali à frente convida-me a continuar as merecidas férias.Dentro em breve regressarei à ardua e mal vista carreira de Juiz, que com muito orgulho e muita dedicação como me ensinaram , em nome do Povo e para ele, desempenho.Se me permite, um abraço e um até breve... quem sabe também, na mudança que todos queremos?
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.ACCB -

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