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O bumerangue das férias judiciais


Porque o assunto se mantém quente e vem a propósito, o Ministro da Justiça vem sendo interpelado para explicar onde pára o anunciado aumento de 10% da produtividade dos tribunais, por via da diminuição das férias judiciais. É que se vem afigurando aos olhos de toda a gente que as coisas não podem senão ter piorado.
É curioso atentar na evolução das respostas que aquele responsável político vem dando. Começou com uma espécie de fogacho burocrático, tão a seu gosto, com a referência à novel existência de «mapas de férias»! Passou depois para uma espécie de tiro de pólvora seca, com a referência a que tudo o que se faça neste período é ganho, em comparação com a paralisia de antanho. Mas logo depois começaram as cautelas, passando as respostas a ser mais evasivas e com alusão à falta de dados estatísticos para neste momento quente se fazer um balanço rigoroso (o que só será possível lá para o fim do ano)… Hoje mesmo parece ter-se dado início a uma nova fase. Assim, na sequência do anúncio feito no Norte do país, com pompa e circunstância, do início da operação de desmaterialização dos processos cíveis - projecto CITIUS - (e muito bem – a desmaterialização), Bernardes da Costa foi mais uma vez interpelado sobre o assunto do prometido aumento da produtividade por via da diminuição das férias judiciais. Desta vez o Ministro distanciou-se do tema e recordou aos jornalistas impetrantes que esse assunto provém de uma lei da Assembleia da República (logo, não são contas do seu rosário) e que a seu tempo se haverá de fazer o balanço… Pois então.
Ante a constatação que a lei não conseguiu alterar a realidade, por, como sempre foi afirmado pelos mais avisados, o período antes previsto ser indispensável para todos os operadores judiciários gozarem as suas férias pessoais e arrumarem cada um a sua (da justiça) casa, tornou-se evidente a impossibilidade de continuar a operação de neutralização mediática que vinha sendo seguida. A estratégia parece ser agora a de sacudir a água do capote (fórmula requentada, já muito batida, mas com algum sucesso a propósito de outros temas).
Por seu turno a bancada que na Assembleia da República suporta o Governo e que tão bem se tem portado aos olhos do chefe, terá agora de se haver com esta batata quente. Nada que apoquente tão brava gente, que fazendo das tripas coração haverá de saber dourar a pílula. Basta que nos lembremos, por exemplo, da cara-de-pau que a propósito do tema o vice-presidente da bancada para os assuntos da justiça bastas vezes apresentou. Este bumerangue haverá de ser engolido com cara alegre.

O populismo geralmente dá nisso: entradas de leão e saídas de rato.

Algo a que (infelizmente) já nos começamos a habituar...

Não posso esconder o prazer que me deu ler este post.

Apetece-me lê-lo em voz alta, em frente a S. Bento, na praça pública, na praça do comércio, na sala de audiências!...
Nem mais!

Bem escrito ( como sempre) e acutilante q.b.

Só posso repetir:

Espero que, organizadamente cada um de nós diga aos seus funcionários para elaborar uma lista , cuidadosa e atenta, dos processos que durante as nossas férias, não durante as férias judiciais, ficaram por despachar, porque os colegas em turno de substituição não podem deitar mão ao seu trabalho e a todo o trabalho urgente do colega que está de férias.
Ou seja, antes de qualquer processo, há o trabalho urgente, mesmo que não seja nosso.
E espero que enviemos a quem de direito a nossa "estatística" ...
E espero que o cidadão em nome do qual aplicamos a Lei, perceba que afinal os tais 10% são operação de soma e não de subtracção

P.S. : Só fico aqui a pensar:- Como será a cara do SR Ministro com um Bumerangue ( este) entalado na garganta?
Será mesmo engolido?
Será cara de banda desenhada?
E que tipo de banda?
Dos marretas?

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