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José

O José teve uma infância infeliz. Diz-se que foi abusado sexualmente por um membro da família do seu pai. Na adolescência, sofreu uma depressão e começou a mutilar-se.
Em novembro 2001, tentou suicidar-se com uma overdose e saltando de uma janela. A caminho do hospital, atacou um dos tripulantes da ambulância. Depois de ter sido tratado dos seus ferimentos, foi acusado e condenado pelo ataque ao tripulante da ambulância.
Cada vez mais perturbado, foi colocado num centro de acolhimento local para ser acompanhado pelos técnicos competentes.
Uma noite, saiu sem autorização do centro, na companhia de outras crianças, e participou no roubo de três telemóveis. Foi preso e acusado. Enquanto aguardava o julgamento, desferiu, com uma faca, trinta golpes na sua cara. As paredes do seu quarto tiveram que ser repintadas.
Quando o caso foi julgado, em 15 Março 2002, o tribunal foi informado que José sofria de problemas mentais sérios. O juiz, depois de aturada reflexão, sentenciou-o a 2 anos de prisão e determinou que as autoridades competentes tivessem em atenção o seu estado de saúde.
Foi solicitado à autoridade que controla a detenção de menores a sua colocação num centro de acolhimento local apropriado, dotado de serviços sociais. Em vez disso, foi colocado numa prisão para jovens.
Preocupados com o seu estado, os responsáveis pela prisão colocaram-no numa cela especial. Para sua protecção, retiraram-lhe a sua roupa pessoal, deixando-o apenas vestido com aquilo que a sua mãe apelidou de "uma manta de cavalo".
No seu nono dia na prisão, o José, com 16 anos e 1 mês de idade, enforcou-se com um lençol nas barras da sua cela.
Esta história é uma das duas que Vivien Stern nos conta numa incómoda palestra agora disponível online: Crime and Punishment in a market society: how just is the criminal justice system?

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Parabéns por ter divulgado este triste caso e o importante trabalho no qual ele é referido.

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