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ser MÃE



extractos da entrevista dada pela mãe de Zacarias Moussaoui à revista Time, há dias,
numa altura em que era já conhecido o veredicto do filho:”culpado”,
e se aguardava pela pena: prisão perpétua ou morte.

(desde já apelo à compreensão de quem se der ao trabalho de ler, para qualquer eventual imperfeição na tradução, que é da minha inteira responsabilidade. De qualquer forma, a leitura de texto integral, disponível no site da revista “Time” na sua versão original, permitirá sempre superar qualquer lapso involuntário)

Time: Este julgamento e as declarações do seu filho durante o mesmo despertaram muita atenção. Há alguma coisa que gostaria de dizer às pessoas que tema possa ficar esquecido no meio de tudo isto?
Aicha el-Wafi: O que eu quero dizer é que os responsáveis pelos crimes horríveis e as trágicas mortes do 11 de Setembro têm de ser julgados e que as famílias das vítimas e todos os americanos merecem justiça. Mas não é isso o que está a acontecer. Quem acredita mesmo que Zacarias Moussaoui tomou parte naqueles ataques? Ele estava na prisão no dia 11 de Setembro e estava lá já há semanas. Ele admitiu que estava nos US para preparar uma armadilha. Disse também que é membro da al-Qaeda e orgulha-se disso. Foi declarado culpado contra a arguição dos advogados e os meus pedidos. Portanto, com tudo a virar-se contra ele, porque não admitir também que ele fez parte do 11 de Setembro? Porque não fez. E esta é a profunda injustiça deste julgamento: ele está a ser julgado por coisas que diz, por aquilo em que acredita, as convicções que tem e nos chocaram a todos, mas não pelo seu envolvimento nos ataques (…).

Time: Qual a sua reacção às declarações provocatórias e afrontosas por ele feitas no julgamento claramente demonstrativas de quanto goza e despreza as perdas pessoais e nacionais do 11/9?
Aicha el-Wafi: Foi atroz. Horrível. Tive de olhar para outro lado. Tapei os ouvidos e fechei os olhos. Senti-me desmaiar. Afinal tive de deixar a sala do tribunal. Senti-me terrivelmente pelas famílias das vítimas, as pessoas que perderam os seus entes queridos nos ataques. O que terão eles sentido? Senti-me também mal por qualquer outra pessoa que na América pudesse ficar chocada. Fez-me sentir doente por eles. Mas provocou-me um golpe pessoal também: estava, na verdade a vê-lo cavar a sua própria sepultura de cada vez que dizia aquelas coisas.
Foi muito difícil olhar para ele depois daquilo. Vi este homem e ouvi as coisas terríveis que ele disse e perguntei-me a mim mesma ‘será que conheço este homem? Poderá ele ser o filho que conheço tão bem?’ Haverá, algures no fundo dele, ainda algum pedaço do velho Zacarias que as pessoas conheciam e amavam apesar de todo o extremismo? Frequentemente, durante os telefonemas, sabia que sim, que ainda havia. Depois destes acessos foi difícil saber.

(…)

Time: Irá visitá-lo antes da execução se ele for condenado à morte?
Aicha el Wafi: Vê-lo é muito difícil. Leva muito tempo a conseguir…Claro que teria de vê-lo, voltar a falar com ele. Ele é meu filho e eu amo-o independentemente de tudo. Mas esse tipo de coisas demora muito tempo a tratar. Espero que não haja pressa para o fazer.

Time: Esta é uma pergunta hipotética e difícil, mas o que faria se algum dirigente da al-Qaeda lhe arranjasse o mesmo dinheiro que as famílias dos bombistas suicidas na Palestina ou outros bombistas suicidas receberam no passado como uma espécie de pagamento à família Moussaoui pelo seu martírio?
Aicha el Wafi: Não o receberia, claro. Repele-me. Mete-me nojo. Se consigo perceber a lógica, as famílias palestinianas recebem essa espécie de pagamento por terem contribuído para a causa. A minha única causa neste momento é manter o meu filho vivo e esperar que a injustiça da sua execução possa ser evitada. Alguém pagar dinheiro pela sua morte seria ao mesmo tempo uma profanação e uma celebração da minha derrota nesta causa.


Entretanto Zacarias Moussaoui foi condenado a prisão perpétua.

FELIZ DIA DA MÃE, MÃE!

Obrigada Pei-Pei. (apesar de não assinado, a autora do "comentário" anterior não resistiu a desafiar-me para vir aqui ver o que ela tinha escrito.)Miminhos de filha...sabem sempre bem!

Que bonito miminho. Eu também percebi!

Bela forma de assinalar o dia da mãe! Grato.

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