« Home | Do mito à realidade : o paradoxo da produtividade ... » | "O PAÍS PERDEU O JUÍZO" » | Ainda as férias » | A nova agenda dos juízes » | O ENVELOPE E O COMPUTADOR ... DE PASCAL » | Notas soltas sobre a Proposta de Alteração do Códi... » | Economia, Justiça e Democracia » | Inclusões e exclusões » | O poder e a função » | «O menino de sua mãe» »

A parra, a uva e a vindima

Hoje de madrugada, num bairro de barracas de Lisboa, a parra: 600 polícias, 200 viaturas policiais e 200 buscas domiciliárias; e a uva: 10 pessoas detidas e 19 armas apreendidas.
Em matéria de segurança, prevenção e repressão criminal, não sou "securitário" nem "laxista". Como a maioria dos portugueses, parece-me que a resposta certa está no equilíbrio entre os meios e os fins. Justifica-se a compressão das liberdades e dos direitos individuais, apenas na estrita medida em que isso é necessário para garantir a segurança colectiva. Fiquei, por isso, impressionado com o que me pareceu ser o uso desporporcionado do "músculo policial", designadamente com o recurso sistemático ao arrombamento violento para assegurar a entrada dos polícias nas residência das pessoas, logo aos primeiros minutos da manhã, e depois ao cerco prolongado que impediu toda a circulação no bairro e que, por exemplo (a acreditar no que vi e ouvi nas notícias), perturbou desnecessariamente a tranquilidade das inúmeras crianças que vivem nessas barracas. Para não dizer já o quanto acho estranho que se pudesse ter considerado existirem fortes indícios de que podiam ser encontradas armas em todas as barracas do bairro - sim é verdade, as 200 barracas são todas as que lá existem. Como se não fosse já suficientemente vexatório para as pessoas honestas que lá vivem (penso que todos concordarão que as haverá...,não?) terem de habitar em barracas, para ainda serem confundidas com vulgares criminosos, só por lá viverem.
Dirão alguns, ah..., mas então não contam a crédito da operação polícial as 19 armas apreendidas e as 10 detenções? Contam! Mas, pergunto eu: e a inutilidade do arrombamento e da devassa das outras 181 barracas , muitas delas de velhos esfarrapados que mal se tinham de pé, para quem a porta da rua talvez seja a única forma de manterem a dignidade e esconderem a pobreza, contam-se a crédito do quê? E também, pergunto, de onde veio a informação policial que descobriu os fortes indícios de criminalidade simultânea no bairro inteiro, que permitiu levar ao juiz de instrução os 200 mandados de busca e trazer de lá as 200 autorizações?
Parece evidente, agora, feito o mal (é sempre mal quando se verifica que a compressão dos direitos é injustificada), que devia ter havido uma investigação mais cuidada, que permitisse circunscrever as suspeitas a um núcleo mais restrito e exacto de alvos. Demorava um pouco mais mas era melhor. Talvez não estivessem lá as televisões para dar visibilidade social a esta demonstração de força do Estado. Talvez. Mas, repito, era melhor!
E tudo, paradoxalmente, num dia em foi conhecida a decisão do tribunal sobre aquele caso do aberrante homicídio do polícia na Amadora, em que os nossos corações estavam com os polícias e com a compreensão pelas inúmeras dificuldades e riscos a que a sua missão, ao nosso serviço, os obriga.
É isto. Muita parra, pouca uva, numa vindima fora de época.
Manuel Soares

Gostava de saber se o MP e a judite se atreveriam a fazer alguma coisa semelhante numa zona de vivendas do Restelo ou de Cascais.
E, se fizessem, gostava de saber se tratariam os bens dos habitantes das vivendas com o mesmo respeito e cuidado com que trataram os bens dos habitantes de barracas.

Que comentario mais estupido, so pode vir de um jovem deformado, enfim e o Pais que temos

Enviar um comentário

ligado

Criar uma hiperligação