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Lido

Pode ler-se no Diário da Assembleia da República - DAR I Série n.º 118 -, e a propósito do último debate mensal do Governo com o Parlamento, esta troca de palavras entre o Senhor Primeiro Ministro e o Senhor Deputado Nuno Teixeira de Melo.
O Senhor Deputado Nuno Teixeira de Melo (CDS-PP):
«Outro tema que quero abordar, Sr. Primeiro-Ministro, é o seguinte: Polícia Judiciária.
Há pouco mais de três anos, uma
magistrada conhecida por ter opiniões políticas — sabe a quem me refiro —, proferiu uma série de declarações contraditórias relativamente ao então director nacional da Polícia Judiciária. O presidente da bancada do PS, António Costa — hoje Ministro de Estado e da Administração Interna, à data presidente da bancada do PS —, dizia o seguinte, e vou citar para não haver erros: «A verdade não pode ficar nas entrelinhas. Só um inquérito parlamentar resolverá o problema, permitirá proceder-se à audição de pessoas libertas do segredo profissional».
E falávamos das tais contradições entre as declarações da dita
magistrada com opiniões políticas e de um director nacional da PJ.
(...)
Pergunto-lhe, Sr. Primeiro-Ministro: o que é que pensa disto?
»
O Sr. Primeiro-Ministro:
«Finalmente, Sr. Deputado, eu não tenho conhecimento de nenhuma procuradora que seja conhecida por ter opiniões partidárias e políticas, porque, como sabe, parece que isso não é compaginável com o seu estatuto.»
Sem outros comentários, o negrito é meu.

Pois, é claro que o PM não sabe de quem é que o deputado estava a falar. Mas quem é que perguntou por uma procuradora do MP.

não foi lapso de mentiroso que não sabe aguentar uma mentira
foi propositado
foi uma forma de fugir à pergunta e simultaneamente dar uma alfinetada à procuradora dizendo "todos sabemos quem a senhora é"

"como sabe, parece que isso [ter opiniões partidárias e políticas], não é compaginável com o seu estatuto.»

Esta frase resume uma atitude e um preconceito.
A atitude no sentido de não tolerar OPINIÕES políticas a magistrados e o preconceito de que o seu estatuto o não permite.

Dois erros graves, numa pessoa que é primeiro ministro: o primeiro indicia um défice de democracia e tolerância. O segundo, é ainda mais grave, por denuncia a ignorância e a confusão que faz entre a proibição estatutária em que os magistrados não possam exercer actividade política e o mero exercício da opinião.

Exemplo mais recente: que diria Sócrates se alguém logo ali no Parlamento lhe fizesse ver o caso concreto dos magistrados António CLuny e Rodrigues Maximiano que apoiaram activamente ( assinaram o manifesto) a candidatura de Mário Soares?!

É o que acontece a quem se mete na política sob a capa de exercer cidadania (a visada após investidas na revolução proletária, que só existiu na sua intencionalidade, falida intelectualmente, continuam vermelhos por dentro, e depois agarram-se à vulgata habermasiana)...molha-se, engana-se, é-se enganado, boata-se e torna-se boatado. MAGISTRADOS não devem estar na POLITICA.

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