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PAUSA DE PÁSCOA



… E “Pilatos, desejando agradar à multidão, soltou-lhes Barrabás (…)

Desejando agradar à multidão: talvez seja este o elemento essencial para a compreensão política de Pilatos. (…) O primeiro dever de todo o homem de governo “puro” é do de reforçar o poder, ou, pelo menos, de não o debilitar. A maior culpa de todo o homem do poder é permitir que este se lhe escape, e não o facto de olhar para o outro lado face à verdade e à justiça: duas ilusões próprias de quem, ignorando as duras leis da política, se pode permitir o luxo de cultivar quimeras.
Lisonjear a multidão, pode ser então, em determinadas circunstâncias, não já uma maneira de ceder, mas um recurso prudente de todos aqueles que se preocupam antes de mais com a salvação do governo. Pilatos não se equivocou ao apelar à voz da multidão (…). Queria saber para que lado se inclinava naquele momento o favor popular, para poder agir em consequência. Pilatos democrático, portanto, segundo a representação de Kelsen? Nem por sombras. Para condescender com o favor popular e seguir o povo não é absolutamente necessário ser democrata. Pelo contrário, pode-se ser um perfeito autocrata.” (Gustavo Zagrebelsky, Presidente do Tribunal Constitucional de Itália, in A Crucificação e a Democracia, Tenacitas, 2004).

Boa Páscoa!

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