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"Mais do mesmo???"

A abertura do caderno central do Expresso desta semana e a leitura da crónica escrita por Miguel Sousa Tavares no verso da primeira página daquele caderno permitem-nos antecipar, ainda que sem grande choque, que a nova Direcção da ASJP terá pela frente um trabalho árduo.

Um simples dia depois da tomada de posse da nova Direcção Nacional, os milhares de portugueses que ajudam a construir a reputação de Miguel Sousa Tavares como jornalista estarão já convictos de que o Dr. António Martins mais não é do que, como ali se diz, "mais do mesmo", sendo que esta expressão mais não significa do que o representante de mais corporativismo, idêntica luta por alguns acrescidos privilégios e até por mais um poder, o legislativo, que ali se sugere ser pretensão dos juízes tomar de assalto.
Confesso que sou uma admiradora do estilo de MST, ainda que sempre me haja surpreendido a sua notória perda de objectividade em dois concretos momentos: um, motivado por evidenciada paixão, quando o assunto é o Futebol Clube do Porto, outro, por indisfarçável inimizade, quando o assunto são juízes.
Se quando o assunto é futebol a preponderância da emoção sobre a razão é um lugar comum, o descrito ódio não terá motivação similar e corre o risco de se transformar em "case study".
Ao lermos a crónica de MST conseguimos retirar, em síntese, que este teve a capacidade admirável de, através de uma entrevista do Dr. António Martins que o próprio MST qualifica como "breve", concluir, sem antecipada margem para dúvidas, que estamos a caminho do radicalismo extremo, que foi emitida uma declaração de guerra ao poder político, que o que nos preocupa é o facto (consumado) de juristas de reconhecido mérito poderem aceder ao STJ, que sacrificamos com o nosso sagrado direito à impunidade os direitos constitucionais absolutos dos cidadãos, terminando a citada crónica com a expressão de um sentido lamento por o Sr. Primeiro Ministro não levar em frente a tarefa de nos pôr no nosso lugar e continuar a reforma da Justiça, que se infere ser uma reforma contrária à nossa vontade.
Crê-se que só falta assumir que o caminho da reforma da Justiça passa por terminar de vez com esta classe de corporativistas, cegos e surdos aos ventos da mudança, e substitui-la por outra, que exija menos e faça mais.
Não é o tema, ou sequer o conteúdo da crónica, o que verdadeiramente me leva a falar deste assunto. De reflectir será antes a necessária ilação que daqui se retira. Se esta é a leitura da realidade feita por uma pessoa a quem são exigíveis especiais conhecimentos e uma preparação cuidada dos assuntos sobre os quais escreve, o que devemos esperar do cidadão comum?
A resposta não é favorável e as melhorias impostas exigem medidas urgentes, que devem ser acompanhadas de algum "marketing" - no bom sentido (não propagandístico) do termo -, que torne a realidade das mudanças que pretendemos ver concretizadas mais acessível aos olhos do cidadão comum, para quem dirigimos os resultados benéficos dessas mesmas mudanças.
Enquanto não formos capazes de fazer passar a nossa mensagem - o que, obviamente, não se faz num dia -, não teremos qualquer possibilidade de afirmação como homens e mulheres que exercem a sua profissão com reconhecido empenho e sem os tiques de autoritarismo, gosto por férias prolongadas e ânsia de crescente poder que tantas vezes pretendem colar à nossa imagem pública.
Deixo aqui um voto de confiança no ciclo da ASJP que agora se inicia, esperando que não se deixem abalar por estas vozes derrotistas e prossigam com o mesmo entusiasmo com que tomaram a decisão originária de abraçar esta tarefa.

O MST não é um caso de estudo; é um caso perdido.
Quando diz "Se esta é a leitura da realidade feita por uma pessoa a quem são exigíveis especiais conhecimentos e uma preparação cuidada dos assuntos sobre os quais escreve, o que devemos esperar do cidadão comum?" está (estaria) a fazer um racicínio correcto, não fora o facto de estarmos a falar do MST.
No caso dele, é irrelevante se lhe são exigíveis especiais conhecimentos. Sempre será contra...
Daqui a muitos anos, quando a justiça tiver recuperado a sua credibilidade, quando o "cidadão comum" estiver bem informado, ainda andará o MST a verberar os juízes.

Já se escreveu que é mais importante para a saúde de um Estado de direito uma justiça que parece boa mas não é, do que uma justiça que é boa mas não parece.
Dê por onde der, a imegem não é uma das principais áreas de intervenção: é a principal.

O que realmente importa é que os juízes assumam o que de mau existe no seu seio, para que o que há de bom se possa afirmar com segurança e sem suspeições. Enquanto isso não acontecer, estará sempre de um lado a palavra muito lida de um comentador de prestígio e, do lado oposto, a má imagem dos magistrados e da justiça, isto é, será uma batalha perdida.

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